sexta-feira, 24 de maio de 2013

Comandante nega perseguição, mas diz que não perdoará desvios na PM

 No momento em que começam a “rolar cabeças” de militares ligados ao movimento grevista de janeiro do ano passado, o comandante geral da PM do Ceará, coronel Werisleik Matias, nega que haja perseguição política na corporação. “Não vamos inventar nada contra ninguém nem perseguir, mas não diminuiremos em nada os desvios que existirem”. Nos últimos dias, presidentes de duas associações militares foram demitidos da Polícia e dos Bombeiros.


Segundo o Diário Oficial do Estado desta quarta-feira, 22, Pedro Queiroz e Flávio Sabino, presidentes da Associação dos Profissionais de Segurança Pública (Aprospec) e da Associação de Cabos e Soldados (ACSMCE), respectivamente, foram demitidos por participar de assembleia realizada em janeiro de 2013.

Junto com o vereador Capitão Wagner Sousa (PR), os dois foram os principais líderes da última greve das corporações. Além deles, outros sete militares foram expulsos.

“A Controladoria Geral de Disciplina deixou mais que materializado que ocorreram desvios de conduta no caso”, diz Werisleik. Segundo o processo, a assembleia da categoria realizada no aniversário da paralisação, em 3 de janeiro deste ano buscava iniciar novo movimento grevista. Já os militares demitidos se dizem vítimas de perseguição e afirmam que a reunião era só balanço das reivindicações das entidades.

Werisleik Matias afirma ainda que não existe investigação na PM sobre as denúncias feitas por Ciro Gomes (PSB) - que acusa Capitão Wagner que comandar milícia na Polícia. “É a própria Secretaria de Segurança Pública que trata disso”. Ele acrescentou que “jamais” se reuniu com o irmão de Cid Gomes (PSB). O governador já informou que pediu “ajuda” a Ciro na área de segurança.

As declarações de Werisleik foram feitas após evento na Assembleia Legislativa em comemoração dos 178 anos da PM do Ceará. Em seu discurso, ele destacou a necessidade de manter a hierarquia e disciplina na corporação e citou até a Bíblia: “Quem poupa vara a seu filho, não o quer bem”.


O secretário de Segurança Pública do Estado, Francisco Bezerra, não compareceu. Seu representante na solenidade, coronel Francisco Vasconcelos, preferiu não falar sobre a polêmica. “Meu trabalho é apenas na área de projetos”.