segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Ceará pode sofrer intervenção diante da violência sem controle da Segurança Pública



A proposta de intervenção federal será discutida em reunião extraordinária do Conselho Estadual da Segurança Pública na próxima sexta-feira (12). O presidente do órgão, Leandro Vasques, ressalta que o Ceará chegou a um "cenário apocalíptico"

Com um recorde de 5.144 assassinatos em 2017 e já com o registro de outros 125  homicídios em apenas sete dias de 2018, o Ceará poderá sofrer uma intervenção federal  com tropas das Forças Armadas ou da Força Nacional de Segurança (FNS) nas ruas para tentar reduzir a atual criminalidade sem freios. A proposta deverá ser discutida na próxima sexta-feira (12) em uma sessão extraordinária do Conselho Estadual de Segurança Pública.

Na manhã desta segunda-feira (8), o presidente do Conselho, advogado Leandro Vasques, decidiu convocar a sessão extraordinária diante do caos na Segurança Pública do estado, agravado com o episódio registrado na semana passada, quando criminosos da facção Guardiões do Estado (GDE) decidiram expulsar dezenas de famílias de suas casas na comunidade Barroso 2, no bairro Passaré.

O fato teve repercussão em todo o Brasil e autoridades e pesquisadores em Segurança Pública se manifestaram a favor de uma ação federal no Ceará. Se aprovado, o pedido de intervenção deverá ser apreciado pelo próprio governo do estado e Assembleia Legislativa.

Ápice da violência

Em sua comunicação à Imprensa, o presidente do Conselho afirma que, “um complexo de motivos embalam a inadiável necessidade de se discutir tal providência, tendo se chegado ao apogeu com o inaceitável fato de, recentemente, famílias estarem sendo compelidas pelo crime organizado a deixarem suas moradias,  tangidas e escoltadas ela criminalidade”.

E Vasques vai mais, adiantando que, “eis um cenário apocalíptico. Chegamos ao ápice da violência urbana.”  Ele afirma que o estado sequer cumpriu a previsão legal de autonomia administrativa e financeira prevista na Constituição do estado, na lei número 12.190/93, para o seu próprio Conselho estadual de Segurança Pública.”

Fonte: Ceara News 7

Delação de ex-gerente do consórcio do Pecém homologada para desespero da Marquise

  Dono da Marquise, José Carlos Pontes, e ex-gerente do Consórcio do Pecém, Emanuel Adeodato

Ceará News 7 noticiou com exclusividade a denúncia de Emanuel Adeodato, que foi demitido ao descobrir corrupção interna entre a empresa Marquise e o Governo Cid Gomes

A delação do ex-gerente do Consórcio do Pecém, Emanuel Adeodato Pinheiro, contra as empresas Marquise, Ivaí e Queiroz Galvão, e o Governo Cid Gomes foi homologada. O Ceará News 7 noticiou com exclusividade a denúncia do engenheiro, que foi demitido ao descobrir corrupção interna entre a empresa Marquise e o Governo Cid Gomes. Agora, ele está sob proteção policial.

Emanuel, à época, já divulgava que recebia ameaças de morte e apontou os nomes: José Carlos Pontes, Erivaldo Arraes, Roberto Reis e Renan Carvalho –todos da Marquise; e pessoas ligadas aos governos de Cid Gomes.

Emanuel Adeodato encontrou corrupção interna entre a empresa Marquise e a Secretaria de Infraestrutura do Governo do Ceará (Seinfra), que atualmente é comandada por Lúcio Ferreira Gomes, irmão do ex-governador Cid Gomes.


Veja o vídeo.



“Sou Emanuel Adeodato Pinheiro, engenheiro civil, trabalhei por três anos e meio na obra do Porto do Pecém, como gerente. A partir do momento que descobri que estavam fazendo corrupção interna ligada ao Governo, ligada à Seinfra, eles me demitiram. Me demitiram de forma sumária, inclusive eu estava doente e eles me demitiram com doença. Estou aqui querendo dizer que estou sendo ameaçado de morte. Por diversas vezes recebi recados, inclusive mandaram uma pessoa na minha casa mandar esse recado para mim. Estou querendo deixar registrado que qualquer coisa que aconteça com a minha família ou com os meus parentes, os responsáveis é quadrilha da empresa MarquiseJosé Carlos Pontes, Erivaldo Arraes, Roberto Reis e o diretor Renan Carvalho. Como também os governos de Cid Gomes, qualquer pessoa ligada ao governo de Cid Gomes, e do Camilo. A minha vida está transtornada, estou sem nem poder trabalhar. Estou como escravo em casa. Quero deixar registrado que tenho muita documentação, documentação que vocês não têm nem ideia, que eu tenho para mostrar e apresentar ao Ministério Público Federal, para levar essa quadrilha para a cadeia. Todos vocês para a cadeia”.

Fonte:Ceara News 7

Sete suspeitos de ritual satânico no RS têm prisão preventiva decretada

 Sete suspeitos de ritual satânico no RS têm prisão preventiva decretada


Sete suspeitos de participação em um ritual satânico que terminou com a morte de duas crianças em Novo Hamburgo, conforme aponta a Polícia Civil, estão com prisão preventiva decretada. Quatro já estão presos, incluindo o líder de um templo, e outros três são considerados foragidos. A investigação começou após duas crianças terem sido encontradas mortas em um bairro da cidade do Vale do Sinos, em setembro do ano passado.

Um dos foragidos é argentino. De acordo com o delegado Moacir Fermino, ele tem amigos no Rio Grande do Sul e teria raptado as crianças - que seriam irmãs - no país vizinho em troca de um caminhão roubado.

"Bancos de dados argentinos estão sendo checados para ver se os DNAs das crianças são encontrados. Ofícios já foram enviados a autoridades do país vizinho. Também será verificado se o argentino tem parentesco com os irmãos", completa o delegado.

"Devem ter outras [vítimas de ritual satânico]. Estamos investigando. Isso rende muito dinheiro para eles", acrescenta Fermino. O delegado já havia informado que o ritual custou R$ 25 mil, e foi encomendado por sócios que queriam "prosperidade no desenvolvimento em negócios imobiliários e na compra e venda de carros."

Os presos:

Silvio Fernandes Rodrigues, bruxo que fez o ritual;

Jair da Silva, sócio que encomendou o ritual;

Andrei Jorge da Silva, um dos filhos de Jair;

Márcio Miranda Brustolin, o sétimo integrante do ritual. Conforme o delegado, são necessárias sete pessoas.

Os foragidos:

Jorge Adrian Alves, argentino que fez a troca do caminhão roubado pelas crianças no país vizinho;

Anderson da Silva, outro filho do sócio que encomendou o ritual;

Paulo Ademir Norbert da Silva, outro sócio do ramo imobiliário.

"O bruxo e os outros presos dizem que não se conhecem, mas temos provas contundentes tanto no papel quanto de testemunhas, de que se conheciam, e também do ritual, com todos ajoelhados. O bruxo falava uma língua estranha, nós acreditamos que seja aramaico", diz o delegado.


Fermino cogita a inclusão de uma das testemunhas do caso na lista de pessoas protegidas, em razão de ameaças que passou a sofrer. "Está correndo risco de vida", afirma.

Sobre o ritual

Conforme a investigação, o ritual para conseguir a prosperidade no ramo imobiliário, encomendado pelos sócios, envolve sacrifício. "Tudo leva a crer que no templo foi comida carne e tomado sangue", conta Fermino.

Quando a polícia fez a operação, incluindo a ida ao templo, que fica em uma cidade da Região Metropolitana de Porto Alegre, foi encontrada uma capa e uma máscara que eram usados nos rituais. O material estava dentro de um cofre. As apreensões e primeiras prisões ocorreram no fim de dezembro.

No menino, ainda conforme o delegado, "há comprovação de dosagem altíssima de álcool". A menina tinha marcas de perfuração de faca.

O delegado informou que foi feito um ofício à Polícia Federal para solicitar auxílio na identificação das crianças desaparecidas na Argentina. "Para identificar as partes dos corpos encontradas", diz Fermino.

Depois dos corpos esquartejados terem sido encontrados, em 4 de setembro, outros membros foram localizados pela polícia no dia 18.


"O deus deles, ou demônio Moloch, é especializado em sacrifício de crianças. Ele está com uma criança na mão", descreve o delegado.

Fonte :Moises Pacheco

Incêndio atinge o topo da Trump Tower, no centro de NY

 Incêndio na Trump Tower em Nova York
                        Incêndio na Trump Tower em Nova York (Reprodução/Twitter)

Presidente Donald Trump e sua família estão em Washington D.C. nesta segunda-feira

Um incêndio atingiu o topo da Trump Tower, no centro de Nova York. O prédio faz parte do complexo imobiliário da família do presidente americano Donald Trump.

Segundo a emissora CBS, o Corpo de Bombeiros da cidade confirmou que recebeu uma chamada para responder ao incêndio por volta das 7h do horário local (10h em Brasília). Não há relatos de feridos.


A Trump Tower fica localizada na Quinta Avenida, uma das vias mais movimentadas de Nova York, que foi fechada pelos serviços de emergência. Imagens aéreas mostram os bombeiros trabalhando no topo do prédio, enquanto uma grande nuvem de fumaça cobre a região.

Fonte Veja Online

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

DEM tem que trabalhar para ter candidato ao Planalto’, diz Maia

Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados

Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados: "O DEM conseguiu ocupar o espaço na política. Se a gente conseguir até abril construir uma base de apoio forte na maioria dos estados brasileiros, podemos pensar em ter um candidato." (Cristiano Mariz/VEJA)

presidente da Câmara pretende votar um pacote de projetos que, se aprovado, poderá pavimentar sua candidatura à Presidência nas eleições de outubro. 

No ano passado, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, foi categórico ao descartar a possibilidade de concorrer ao Palácio do Planalto. Exercendo seu quinto mandato como deputado federal, ele dizia não ter “tamanho” para participar da disputa. A recente ofensiva de seu partido, o DEM, para filiar quadros do PSB e a estagnação dos pré-candidatos de centro nas pesquisas eleitorais, no entanto, mudaram os planos de Maia. Agora, ele defende uma candidatura própria de seu partido à Presidência e a votação de um pacote de projetos que, se aprovado, demonstraria que ele, Maia, tem condições de comandar as mudanças de que o país precisa. “Como não há, no momento, um nome natural no nosso campo político do centro, todos têm condições de serem candidatos. Qual a diferença de 1% para 5%? Zero”, diz. Nesta entrevista a VEJA, Maia acena a fatias importantes do eleitorado. Aos donos do dinheiro, promete empenho em favor da reforma da previdência. Num flerte com entusiastas da pré-candidatura de Jair Bolsonaro, prega mudanças no Estatuto de Desarmamento a fim de garantir ao cidadão comum o porte de armas. Maia não assume a sua candidatura, mas entrou de vez no páreo. “Lula não ganha a eleição. Lula não tem mais condições de atrair alianças para ter tempo de TV. Vai ter que fazer uma campanha mais radicalizada e não vai conseguir caminhar para o centro como fez em 2002”. A seguir, os principais trechos da entrevista:

Aumentou a chance de aprovação da reforma da previdência? O clima está melhor. Os setores médios da população já estão apoiando a reforma da previdência. O que a gente precisa é saber como chegar ao trabalhador que ganha de um a dois salários mínimos, que não vai ser atingido pela reforma, mas está contra a reforma. O desafio é acertar a comunicação nos primeiros dias de fevereiro, já que a ideia é votar na segunda quinzena de fevereiro. O aposentado, por exemplo, precisa estar a favor da reforma porque, do contrário, vai acontecer no Brasil o que aconteceu em alguns países da Europa, que cortaram de 30% a 50% das aposentadorias.

Como convencer os deputados a aprovar o texto? Temos que chamar cada deputado individualmente para mostrar que a Previdência é uma agenda do Brasil. O mesmo com os governadores. Eles estão sofrendo muito com o aumento permanente de despesas. Cinco estados já não conseguiram pagar o 13º salário dos servidores no ano passado. Neste ano, vão ser sete. Depois, nove. Depois, todos os estados, porque o sistema previdenciário estadual já é deficitário e será cada vez mais deficitário. É uma situação muito grave. Não dá para fugir dessa agenda.

No ano passado, os deputados preferiram fugir dessa agenda? A publicidade do governo já teve um impacto na opinião pública. A gente já tem uma parcela de 30% a 45% da população a favor da reforma. Precisamos continuar trabalhando esse tema para que o deputado, quando vá até a sua base, não tenha esse assunto como um fator de muita rejeição.

A tendência hoje é o Congresso deixar a reforma da previdência para o próximo governo? Se a reforma não for votada agora, chegaremos à eleição com esse tema dominando o debate do mesmo jeito. Quando o candidato prometer alguma coisa, a imprensa vai perguntar: com que dinheiro? Não há alternativa. A União fechou o ano passado com quase 60% de suas receitas comprometidas com a previdência. Quem quer, de fato, tratar de uma agenda social séria, vai ter que tratar da previdência. A população está envelhecendo muito rápido e um grupo ainda se aposenta muito cedo. Em dez a quinze anos, vamos estar com a população mais velha que a população europeia.

O ministro Carlos Marun, novo articulador político do governo, está ajudando ou atrapalhando nesse processo? Ele tem um perfil diferente do ex-ministro Antonio Imbassahy. Ele é mais do conflito e confronto. Se continuar com essa energia, evitando alguns conflitos como o que teve com os governadores, por exemplo, vai poder ajudar muito. Marun é muito determinado, muito corajoso, defende muito o que acredita. Acho que tem que tomar cuidado para a gente não arrumar briga com quem não precisa. A gente precisa dos governadores junto com a gente. Acho que, com o tempo, ele vai entender que o papel de ministro é diferente do de deputado.

O senhor aparece como presidenciável no noticiário. Como vê isso? É claro que quando as pessoas lembram o seu nome, e vaidade todo mundo tem um pouco, a gente fica contente. Mas não acho que seja hora de discutir candidatura. A gente precisa primeiro discutir uma agenda para o país e só depois discutir nomes. Como não há, no momento, um nome natural no nosso campo político do centro, todos têm condições de serem candidatos. Qual a diferença de 1% para 5%? Zero. Agora, se não tiver uma convergência de ideias nos partidos, que represente um bom tempo de televisão para discutir e apresentar essas ideias, é uma besteira discutir nomes.

O DEM terá candidato próprio? Acho que o DEM tem que trabalhar para ter candidato próprio ao Planalto.

O senhor já disse que seria loucura disputar a Presidência. O que mudou? O DEM conseguiu ocupar o espaço na política. Se a gente conseguir, até abril, construir uma base de apoio forte na maioria dos estados brasileiros, podemos pensar em ter um candidato. O DEM projeta hoje ter a possibilidade de ter dez a doze candidatos a governador. Acho que só depois da janela de filiação, em março, saberemos os partidos que vão ter condição de liderar o processo eleitoral no país.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, pode ser o candidato do campo político do senhor? Essa questão do Meirelles não foi discutida na base. O Meirelles se lançou pré-candidato com o apoio do partido dele, o que é legítimo. Como também seria legítimo se o DEM tivesse feito a mesma coisa.

Além da previdência, quais são as outras prioridades da Câmara? A agenda da segurança pública. Constituímos um grupo de trabalho, com o ministro Alexandre Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que vai apresentar em fevereiro uma proposta de projeto de lei para melhorar a legislação de combate ao tráfico de drogas e armas. Vou pautar isso na Câmara. Também tem a discussão do Estatuto do Desarmamento. Acho que temos que ter regras, mas, depois das regras, acho que as pessoas têm que ter direito a sua arma. Esse é um debate que vamos enfrentar porque a sociedade está cobrando. E também temos de discutir a responsabilidade constitucional do governo federal em relação à segurança.

O senhor pautará a questão do foro privilegiado? Vamos tratar dessa questão. Pode ser votando o projeto que temos aqui na Casa ou chegando a uma solução como a que o Supremo já pensou, que, na minha opinião, é boa. (Em julgamento suspenso por um pedido de vista, a maioria dos ministros do STF defendeu a validade da prerrogativa apenas nos casos de crimes cometidos durante o mandato e relacionados ao exercício da atividade parlamentar)

Algum outro dispositivo pode ser aprimorado? O poder pessoal do ministro na nomeação dos servidores da área jurídica ou financeira precisa ser modificado. Esses cargos, que controlam dinheiro e procedimentos, deveriam estar mais sob o controle do Estado do que do universo político do governo.

Qual o peso de Lula na disputa presidencial? Lula é um ator importante, forte. Para a política, seria melhor que ele participasse da eleição. Mas essa questão não está nas mãos da política, está com o Judiciário. O Lula não ganha a eleição. Lula não tem mais condições de atrair alianças para ter tempo de TV. Vai ter que fazer uma campanha mais radicalizada e não vai conseguir caminhar para o centro como fez em 2002.

Esse raciocínio vale para Jair Bolsonaro? O Bolsonaro conseguiu atrair para ele o sentimento de insatisfação de parte importante da sociedade. Ele conseguiu usar as redes sociais como nenhum político conseguiu no Brasil. Agora, falta a ele a capacidade de organizar o apoio político de partidos. Ele faz tudo muito sozinho e acaba atrapalhando. Mas é a polarização que faz dele um ator relevante. Ele precisa radicalizar para ser visto e chamar a atenção, mas isso não convence a maioria do país.

Fonte : Veja Online





quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

MP pede inquérito sobre conta atribuída a Dirceu e Lula

José Dirceu e Lula

Gerson Almada declarou ter feito contratos "dissimulados" com o fim de pagar supostas vantagens indevidas a Dirceu (Rodolfo Buhrer/Ueslei Marcelino/Reuters)

Lula e Dirceu seriam os supostos beneficiários de uma conta em Madri, segundo depoimento de empreiteiro da Engevix.

A força-tarefa da Operação Lava Jato pediu ao juiz federal Sérgio Moro que a Polícia Federal investigue as novas revelações do empreiteiro Gerson de Melo Almada, ligado à Engevix. A manifestação do Ministério Público Federal foi protocolada no dia 19 de dezembro. Em depoimento prestado em julho deste ano, com sigilo levantado em 1º de dezembro, Almada disse saber de uma suposta conta em Madri, administrada pelo lobista Milton Pascowitch, abastecida por propinas de contratos da Petrobras. Os beneficiários da conta seriam o ex-presidente Luiz Inácio Lula e o ex-ministro José Dirceu.

O depoimento do empreiteiro foi anexado à denúncia do Ministério Público Federal sobre propinas de 2,4 milhões de reais das empreiteiras Engevix e UTC para Dirceu (ministro da Casa Civil do governo Lula). O petista teria recebido os valores durante e depois do julgamento do mensalão – ação penal em que Dirceu foi condenado a 7 anos e onze meses.

Gerson Almada declarou ter feito contratos “dissimulados” com o fim de pagar supostas vantagens indevidas a Dirceu. No mesmo depoimento, Almada confessou que firmou “contratos dissimulados” com a empresa de comunicação Entrelinhas com o fim de pagar propinas a Dirceu.

O empreiteiro afirmou que “o objeto dos contratos, anexados aos autos, nunca foi prestado à Engevix e que, mediante o fornecimento das notas fiscais pela Entrelinhas, a empreiteira pagou de 2011 a 2012, o valor de R$ 900 mil”.

Na manifestação enviada em 19 de dezembro, o Ministério Público Federal afirmou que as novas declarações de Gerson Almada “não possuem o condão de desconstruir a narrativa edificada na denúncia”.

“Ao contrário, em verdade, no que respeita ao presente feito, as circunstâncias por ele apresentadas apenas corroboram os fatos narrados na exordial acusatória, os quais, oportunamente, serão devidamente demonstrados de forma cabal no decorrer da instrução criminal”, anotou a força-tarefa.

“Especificamente quanto aos novos fatos trazidos por Gerson Almada, requer este órgão ministerial seja o Departamento de Polícia Federal intimado a fim de que proceda à instauração de inquérito policial para a sua apuração, instruindo-o, desde logo com os depoimentos e documentos trazidos pelo representante da Engevix, assim como pela declaração de Milton Pascowitch ora encartada aos autos”, solicitou a Procuradoria da República, no Paraná.

Defesas

Quando as informações sobre as novas declarações de Almada foram publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, no início de dezembro, os citados se manifestaram desta forma:

“Essa é mais uma peça de ficção que integra o sistema de delações premiadas a ‘la carte’ que vem se tornando uma marca da Operação Lava Jato. Para obter benefícios, réus confessos precisam se referir a pessoas preestabelecidas pelos integrantes da operação, em especial, o ex-Presidente Lula. Lula. jamais recebeu qualquer valor indevido da Engevix ou de qualquer outra empresa e empresário. O próprio depoente reconheceu que não tem qualquer prova contra o ex-Presidente, deixando evidente que a referência ao seu nome foi artificialmente construída para que a sua delação fosse aceita é mantida”, disse o advogado Cristiano Zanin Martins, que defende Lula.

O advogado Roberto Podval, que defende José Dirceu, se manifestou da seguinte forma: “Vou ter acesso ao depoimento ainda, mas, se for verdade, a colaboração de Milton Pascowitch deve ser revista”.

“Nenhum sentido. Em seu próprio depoimento, Almada afirma não ter prova do que diz”, disse, por sua vez, o advogado Théo Dias, defensor de Pascowitch.


A reportagem está tentando contato com a Entrelinhas. O espaço está aberto para manifestação da empresa de comunicação.

Fonte : O ESTADÃO

CGU identifica 346 mil cadastros fraudados no Bolsa Família

O Bolsa Família
                 O Bolsa Família (Alina Souza/Especial Palácio Piratini/Fotos Públicas)

Fraudes geraram prejuízo da ordem de R$ 1,3 bilhão aos cofres públicos em pagamentos irregulares no programa durante dois anos.

Uma auditoria da Controladoria-geral da União (CGU) localizou 346 mil cadastros fraudados no Programa Bolsa Família. Segundo o relatório divulgado nesta quinta-feira (4), mais de 2,5 milhões de famílias recebiam o benefício mesmo com indícios de “inconsistência cadastral”, o que teria gerado prejuízo de R$ 1,3 bilhão aos cofres públicos em pagamentos irregulares.
O Bolsa Família foi criado em 2003, na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para atender famílias em condições de extrema pobreza. Apenas famílias com renda de até R$ 170 por pessoa tinham direito benefício.

Essa auditoria da CGU identificou 5,2 mil famílias que tinham renda maior do que dois salários mínimos (R$ 1.874) e, mesmo assim, recebiam a bolsa.

No documento, o órgão afirma que, se as fraudes forem comprovadas, as famílias estarão sujeitas a “sanções legais, tais como devolução de valor, impossibilidade de retornar ao programa por um ano, sem prejuízo da responsabilização criminal”.

“O Ministério de Desenvolvimento Social aplicou o bloqueio dos benefícios para os casos em que as famílias tiveram renda per capita inconsistente”, diz a pasta.

A CGU recomendou também na auditoria que o controle de cadastro de famílias ao Programa Bolsa Família seja aperfeiçoado pelo Ministério de Desenvolvimento Social.



Fonte: veja.abril.com.br/brasil/