A indústria do cigarro sofreu mais um golpe nesta terça-feira
(13). A diretoria da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou
por unanimidade a resolução que proíbe do uso de aditivos que dão sabor a
produtos derivados de tabaco, como mentol e cravo. O uso do açúcar, porém,
continua permitido.
A indústria terá 18
meses para adequar os cigarros à nova regra. No caso de caso de outros
derivados de tabaco, como os fumos para cachimbos, o prazo é de 24 meses. A decisão
não vale para produtos exportados para outros países.
De 2007 a 2010, subiu de 21 para 40 o número de marcas de
cigarro com aromatizantes, segundo a Vigilância Sanitária. Uma pesquisa feita
em 13 capitais pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) indica que o cigarro com
sabor é o preferido entre adolescentes brasileiros que começam a fumar.
"O cigarro da década de 60 e 70 não era agradável, mas
havia uma propaganda que incentivava o consumo", explica a cardiologista
Jaqueline Issa, do Instituto do Coração (Incor). "À medida que houve uma
restrição da publicidade, a indústria precisou criar um produto mais
atraente." De 15% a 17% da população brasileira é fumante hoje em dia.
"Para alcançarmos um dígito, o caminho é difícil e essas coisas que
parecem pequenos detalhes passam a ter uma importância enorme", comenta.
O texto original, colocado em consulta pública em novembro de
2010, previa a retirada, ainda, do açúcar. A sugestão seguia os princípios da
Convenção Quadro do Tabaco, um acordo internacional com regras para prevenção e
combate ao tabagismo do qual o Brasil é signatário.
Mas produtores alegaram que o aditivo é indispensável para um
determinado tipo de fumo, o Burley, o que causaria um problema para as famílias
que dependem da produção de tabaco.
Demissões
Associações patronais
e sindicatos de trabalhadores da cadeia produtiva do tabaco, além de entidades
públicas de municípios produtores, divulgaram nos último dia na imprensa um
manifesto conjunto em repúdio à resolução. No texto, o grupo alega que não há
nenhum estudo que aponte uma relação entre a incidência de fumantes na
população e a participação de cigarros com sabor no mercado.
De acordo com os
representantes da indústria do tabaco, a proibição vai desestruturar a cadeia
produtiva do setor, provocará demissões e incentivará o comércio ilegal de
cigarros. O açúcar, portanto, ficou fora da proposta da ANVISA e o tema deve
voltar a ser discutido futuramente.
Com Agência Estado e (Agência Brasil)
