Com o título “A lição
que vem das ruas”, eis tópico inicial da Coluna Política do O POVO, assinada
pelo jornalista Plínio Bortolotti. Aborda disposição do governador Cid Gomes de
fazer plebiscito sobre projetos de sua gestão. Confira:
Apesar da
heterogeneidade dos participantes e da diversidade das reivindicações,
olhando-se o conjunto das manifestações que eclodem pelo Brasil, observa-se
certa unidade não programada entre seus participantes, indicativa de uma
espécie de “espírito do tempo”, que aglutina os manifestantes.
Uma das irritações dos
manifestantes dirige-se ao funcionamento das instituições, aí incluídos
Executivo, Legislativo e Judiciário (e aos partidos), que andam devagar, têm
queda pelos mais ricos e indiferença (no mínimo) para com os problemas dos mais
pobres.
As ruas, portanto,
estão mostrando aos políticos – parlamentares e governantes – que eles nada
mais são do que funcionários públicos, que foram eleitos para servir e não para
se servirem, e o que se espera deles é que trabalhem como estão fazendo agora,
constrangidos pelo aguilhão dos manifestantes.
Veja-se o caso do
Ceará. Se há um traço negativo que marca a administração Cid Gomes (PSB) no
governo do Estado é a dificuldade em dialogar com a sociedade, resultado da
reconhecida arrogância dos Ferreira Gomes; Cid, sob o argumento de que só quer
o “bem” do Estado e dos cearenses, costuma decidir tudo solitariamente ou em
seu pequeno círculo, mesmo as questões de grande impacto para a cidade ou para
a vida das pessoas.
Pois bem, agora, o
governador anuncia que pretende fazer um plebiscito para consultar a população
sobre “determinadas obras”, como divulgou este jornal em sua edição de ontem.
Mesmo sem revelar
quais obras seriam essas duas delas estão sob intenso questionamento: a
construção do aquário (Praia de Iracema) e da ponte estacionada (sobre o rio
Cocó). Poder-se-ia lembrar também a urgente delimitação do Parque do Cocó e as
desapropriações na Comunidade do Trilho, devido ao VLT.
Vê-se, portanto, que
“o Brasil acordou”, está fazendo os políticos despertarem de sua letargia, e
obrigando-os a descer do Olímpio.
Fonte: Blog do Éliomar de Lima
