Protestar
contra a Fifa não é o foco certo, acredita o secretário-geral da entidade,
Jérôme Valcke, sobre as recentes manifestações que ocorrem em cidades de todo o
Brasil. Em relação a cartazes que dizem "Fifa, vá embora", o
dirigente francês afirma que não adianta fazer esse pedido e que os
manifestantes devem desistir. "Não vamos embora. Não adiante brigar
conosco", disse Valcke, numa entrevista concedida aos jornalistas Jamil
Chade e Leonardo Maia, do O Estado de S.Paulo.
"Vimos nas manifestações cartazes
que pedem 'Fifa, vá embora'. Nós somos o alvo errado. A Fifa não vai embora. É
fácil focar na Fifa e dizer Fifa, vá embora, mas esse não é o ponto correto.
Aquilo em que temos que nos concentrar é que o Brasil avance, e usar a Copa
como um catalisador. Nunca vou admitir que dizer para a Fifa ir embora é a batalha correta a ser lutada. Não adianta
pedir isso. Não é a batalha certa", disse Valcke, que admitiu
"surpresa" diante dos protestos.
O
secretário-geral da Fifa declarou ainda que em um ano, daqui para a Copa do
Mundo de 2014, não haverá tempo hábil para que o Brasil passe por uma
"revolução" em termos de infraestrutura. "Parece que teremos que
garantir uma melhor forma de conectar as 12 cidades para a Copa do Mundo,
alguma forma mais fácil de voar entre as cidades. Tivemos a mesma situação na
África", explicou, acrescentando que "no Brasil teremos que trabalhar
com o governo para garantir que quem quiser voar entre as cidades-sede possa
fazer sem problema".
Na última terça-feira, o deputado federal
Romário, que sempre critica a Copa do Mundo e a Fifa, apontou todas as suas
armas contra Valcke, chamando-o de "cara-de-pau, chantagista e
corrupto". Segundo Romário, "chega a ser uma piada" ouvir do
dirigente que a Fifa não veio ao Brasil apenas para encher os cofres e ir
embora. O ex-jogador citou ainda que parte desde lucro "vai
ser para pagar o aluguel de uma cobertura no Leblon no valor de R$ 150 mil
mensais para Valcke e sua família". Leia a íntegra de seu texto, publicado
no Facebook:
Tem coisas que não posso deixar
passar. Ontem o cara-de-pau, chantagista e corrupto do Jerôme Valcke negou que
a FIFA venha ao Brasil encher os cofres e ir embora. Chega a ser uma piada
ouvir uma frase como essa.
Um cara que disse há alguns
meses que o mais importante em uma Copa eram os estádios e que o resto era
secundário, não tem credibilidade para responder pela FIFA. Aliás, ele está no
lugar certo, a FIFA é exatamente a entidade onde ele tem que estar. Por seu
histórico de falcatruas desde o período do Havelange até o atual do Blatter.
Uma parte deste lucro da FIFA
vai ser para pagar o aluguel de uma cobertura no Leblon no valor de R$ 150 mil
mensais para Valcke e sua família. Detalhe, o contrato contempla desde a Copa
das Confederações até o final da Copa do Mundo, em 2014.
