
Para Regina Miki, Secretária Nacional de Segurança Pública, senso comum é obstáculo na compreensão do problema das drogas como questão de saúde; a secretária também analisa que a principal causa da sensação de insegurança na sociedade são os crimes contra o patrimônio; leia sua entrevista concedida ao portal Consultor Jurídico
A segurança pública no Brasil é pautada por alguns problemas intrincados. A maioria dos inquéritos não é resolvida, ao mesmo tempo em que metade da população carcerária é de presos provisórios. E no meio disso, o senso comum, inclusive nas polícias, credita os problemas ao uso de drogas — e vê no uso de drogas a causa para o tráfico de drogas.
Mas a secretária nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, Regina Miki, garante que são conclusões do senso comum. "Não temos estudos aprofundados sobre as causas da violência, e como não há esse estudo, jogamos tudo nessa vala comum da droga", afirma, em entrevista à ConJur. "Também não existe a relação direta entre consumo de drogas e cometimento de crimes", garante.
Regina afirma que é comum no Brasil se dizer que entre 60% e 70% dos homicídios são motivados pelo consumo de drogas. "Mas, como não temos um estudo aprofundado, seria chute nosso afirmar isso", diz. Segundo ela, o que se tem certeza é que o sistema prisional hoje está superlotado por gente que cometeu "pequenos furtos ou roubos para a manutenção de um vício".
Por isso, para ela, o consumo de drogas é um problema de saúde pública e não de segurança. O problema criminal são as quadrilhas de tráfico internacional, que lavam dinheiro e, segundo Regina, diversificam suas atividades. "Nosso trabalho não é, hoje, o de pensar em descriminalização do tráfico, ou do uso. Estamos debruçados em aumentos à rede de atenção à saúde, de atenção e de proteção social às famílias dos usuários para dar condição deste usuário de refazer seu projeto de vida."
Na entrevista, Regina contou que um estudo feito em alguns países da Europa viu que, ao mesmo tempo em que o consumo de drogas diminuiu, o número de crimes cometidos manteve-se estável. Principalmente o de crimes violentos.
A secretária também analisa que a principal causa da sensação de insegurança na sociedade são os crimes contra o patrimônio. Ela observa que, à medida em que o número de crimes contra vida cai, o de furtos, roubos e latrocínios aumenta. Ela não conhece a explicação, apenas o resultado. "Para o senso comum, se eu não estiver envolvida com droga, com roubo, com quadrilha eu não serei alvo potencial de homicídio. Mas de qualquer sorte, se eu tiver um celular, por pequeno que seja, um bem com valor às vezes irrisório, eu serei vítima em potencial de um roubo ou furto."
Fonte: 247 Brasil.